(desmistificando, em prol da verdade...)
Ninguém duvida da bondade e da simpatia do bom velhinho, mas não terá ele também algo de finório, de folgazão e até de maroto com laivos de ironia, a começar pelos seus célebres (e enigmáticos) monossílabos?
Já lá iremos... mais para o final da crónica. Agora, que ainda estamos na introdução, sempre vamos dizendo que as crianças são os principais clientes do Pai Natal ou Papai Noel, mas, é sabido, que muitos insatisfeitos, já bem adultos, não prescindem do envio de uma cartinha ao dito, solicitando-lhe, afinal, o que a vida bem real não lhes pode oferecer.
Ao que consta, o bom velhinho tudo faz para satisfazer os pedidos (consta também que só os daqueles que se portaram bem ao longo do ano, o que coloca, de imediato, os adultos em franca suspeição) e, como as dificuldades não atacam apenas os simples mortais, por vezes ele até é obrigado a passar por situações deveras constrangedoras, menos ortodoxas, inusitadas, situações estas que os terrenos ou terráqueos desprovidas de renas voadoras talvez não saibam interpretar da melhor forma ou então até terão a mania de levar tudo demasiado à letra e só por má fé é que não conseguem entender as reais intenções do homem que se vê obrigado a entrar em casa alheia pela chaminé só porque ninguém lhe facultou a chave da porta.
Ao que consta, as crianças, mesmo de mente dividida entre o que lhe fazem crer que existe e o que a sua realidade já vê (como é que este gordo passa na chaminé?) não reclamam e, cremos, que acima do presente dado pelo Pai Natal ou pelo Pai de Todo o Ano estará, isso sim, a enorme satisfação se tiver o privilégio de ir a centro comercial qualquer e puder sentar nas pernas do velhinho de longas barbas brancas e de vermelho vestido... cena enternecedora que, inevitavelmente, terá de ser (bem) rematada pelo célebre Ho... Ho... Ho... risadinha que, como afirmámos no início desta crónica, é tão sonante ao ouvido quanto enigmática.
Vejamos... coloque-se uma das nossas leitoras no papel daquela senhora que, farta, fartíssima, da velha caranguejola ou carripana, do velho automóvel a cair aos pedaços, resolve escrever ao Papai Noel pedindo subtilmente (quiçá testando a inteligência do nosso velhinho) "... algo que vá dos 5 aos 100 em menos de 5 segundos...", acrescentando ainda que não importaria o modelo nem a cor. Como ficaria o seu estado de espírito cara leitora se na volta do correio recebesse esta prenda? Ainda manteria a opinião de que o bom velhinho é realmente simpático e que a risadinha, agravada pelo coro das renas, é carinhosa? Ou que afinal, é sim uma risadinha de troça, sarcástica, de deboche como por aqui é frequentemente usado?
Certamente que a nossa leitora mudaria também a opinião sobre o "nosso homem" se recebesse o mesmo daquela outra senhora que escreveu ao Pai Natal pedindo uma ajudinha para modificar o corpinho (de modo a valorizar a auto-estima, como é costume dizer-se) e em vez de uns "cobres", de um novo emprego bem mais remunerado, de um prémio na lotaria (loteria) ou mesmo de um cirurgião plástico pendurado na chaminé, recebeu isto... um espelho. Das duas uma... de modo bem racional certamente que a leitora lhe chamaria de safado sem vergonha, como (também) é costume dizer-se por aqui ou então, agradecia-lhe, visto que a sua cegueira (em olhar apenas para o corpo) não lhe permitiria ver o quão estava a ser lubridiada.
Verdade seja dita que o bom velhinho não é tão mau como o estamos a pintar. Pelo menos para os do seu sexo (presumindo-se que o Pai Natal é homem e não pertence à classe dos Anjos), o Pai Natal é um gajo porreiro e se o pedido do Ti Zé era impensável de realizar (o Ti Zé queria uma de 20, mas o nosso barrigudinho é contra o pecado) ele lá tratou de remediar o caso com bastante imaginação.
Um agradecimento bem especial ao Blog do Regabofe que nos facultou as três últimas imagens permitindo-nos (também) usar e puxar da imaginação.
Neves, AJ
| dezembro 27, 2006 11:01 AM
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