Ser ou não ser SANTACOMBADENSE
A questão
começou com um daqueles habituais porquês de minha filha, que apesar de já
não ser criança, insiste, para meu gáudio, em continuar a colocá-los.
– Pai, porque é
que o termo Santacombadense não aparece nos dicionários e enciclopédias?
Em verdade vos
digo caros leitores, e em especial aos conterrâneos, que não tenho ideia de
algum dia ter andado a rebuscar nos calhamaços o vocábulo que eu considerava (e
considero, ora)
como o nosso gentílico, aquele termo que nos identifica a
nós cidadãos, à nossa terra e a tudo a que ela diga respeito. As razões
provavelmente estarão inerentes ao facto de que o termo SANTACOMBADENSE sempre
foi para mim um dado adquirido, briosamente herdado dos nossos antepassados
quer por via oral quer na escrita e que sempre divulguei com prazer e orgulho.
Em vias de tal, a curiosidade da filha ficou sem uma resposta clara e objectiva e após (frustradas) buscas e rebuscas nos tratados, mais não me restou do que dizer-lhe naquele jeito de pai sabichão que a Voz do Povo é quem manda e que o termo SANTACOMBADENSE está mais do que enraizado e jamais se perderá. E ainda... que, bem ou mal construído, ele se sobreporá a todos os outros inventados pelos doutores das línguas (ou a elas relacionadas) que parece que têm o defeito de costurar os livros em gabinetes fechados não se preocupando em auscultar a fala do Povo, afinal um pouco à semelhança de outras cabecinhas que traçam no papel quase de igual modo as estradas e as escolas do país sem conhecerem o terreno in loco ou o próprio clima da região.
Será que um linguista nunca nos visitou? Mesmo que nem um jamais tenha ido provar as águas do Dão, apontem lá a este leigo curioso o erro cometido ao adicionar o sufixo -ense à palavra primitiva Santa+comba+dão para formar por derivação, segundo eles dizem, o nosso mui amado SANTACOMBADENSE.
Em frenesim,
não parei com as buscas e, entretanto,
descobri um
Dicionário de Gentílicos onde fiquei deveras esclarecido
e estarrecido...
afinal, passados que são 51 anos, fiquei a saber que, lexicalmente, não sou
reconhecido como SANTACOMBADENSE e sim como santacombense (santa-combense) ou santacolumbense (santa-columbense).
O primeiro daqueles termos enviei-o logo para o espaço já que me sabia a
pouco e nunca o ouvi da boca do Povo, mas até me identifiquei com o segundo visto que mergulhando nas origens
da nossa cidade chegamos a Santa Columba. Além do mais, o termo Santa Columba é hoje frequentemente
usado e é bom recordar que há muitos anos, mais do que
aqueles que eu somo na vida, existiu um jornal denominado SANTACOLUMBENSE e
um clube desportivo com o mesmo nome, que segundo consta equipava de azul e daí, talvez, a razão de os nossos Pinguins, o Desportivo
Santacombadense, serem filial do CF Belenenses.
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SER OU NÃO SER SANTACOMBADENSE sondagem |
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No entanto e apesar do que acabei de expor acho que me assiste o direito de colocar tudo em pratos limpos e assim poder carregar até ao fim da minha vida o gentílico SANTACOMBADENSE devidamente reconhecido. Usei então um trunfo que escondi de minha filha e entrei em contacto com o Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, um portal na internet que nos auxilia a tirar dúvidas linguísticas. Mas a resposta do Ciberdúvidas igualmente me soube a pouco, não me esclareceu e apenas confirmou o que eu já sabia, alimentando-me no entanto a esperança de que no futuro o termo SANTACOMBADENSE certamente iria fazer parte dos dicionários. Treta para boi dormir, como por aqui se diz, porque para um termo ou vocábulo passar a fazer parte do léxico será necessário lá colocá-lo e, como o nosso não o foi até agora pergunto então... quem o vai lá colocar para que todos nós ligados a Santa Comba Dão possamos ter a nossa identidade legalizada ou reconhecida?
É claro e intuitivo, meus caros, que a luta terá que ser nossa. Teremos que ser nós SANTACOMBADENSES, todos nós, os nados, presentes e ausentes, os residentes e ainda todos aqueles que possam sentir alguma identificação ou simpatia para com a nossa terra.
Assim, com o devido respeito e em prol do reconhecimento escrito da nossa identidade lanço então o desafio às nossas instituições (Câmara, Pelouro da Cultura, Assembleia Municipal, Associações, Escolas...) para darem o primeiro passo.
Post-scriptum - em tempos de novas tecnologias onde os dicionários "on line" avançam à velocidade de um raio e permitem actualizações temporais sempre que o homem quiser, não nos parece descabida a nossa pretensão de acelerar o processo.
Neves, AJ
| março 1, 2007 09:48 PM
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