setembro 12, 2007
Milho Vermelho

É milho-rei 
milho vermelho 
cravo de carne 
bago de amor 
filho de um rei 
que sendo velho 
volta a nascer 
quando há calor...

Photo Sharing and Video Hosting at PhotobucketEm 1969, os versos de Ary dos Santos na voz de Simone de Oliveira desafiaram o antigo regime durante o Festival RTP da Canção. 
Evocando o milho-rei milho vermelho, autêntico objecto de desejo nas rodas de rapazes e raparigas durante as desfolhadas em tempos de antanho, o poema cantava o amor de uma forma proibitiva para a época, podendo afirmar-se que na Desfolhada, Ary dos Santos atreveu-se a descamisar as mentes conservadoras e puritanas usando palavras nunca antes proclamadas pública e livremente e que insinuavam o amor carnal [corpo de linho/lábios de mosto/meu corpo lindo/meu fogo posto ... quem faz um filho/fá-lo por gosto].


Os tempos mudaram. A Revolução dos Cravos aconteceu e muito por sua culpa as mentalidades modificaram. Também se alterou esta prática de desfolhar ou descamisar o milho nas noites quentes de Verão (de Agosto) em rodas de jovens e adultos de ambos os sexos e onde o milho vermelho, por raro, era rei quando aparecia. Não se pense, contudo, que o reino deste rei era pavimentado a ouro salpicado de safiras e diamantes, a única riqueza ao dispor deste rei era a atribuição de poderes, qual lâmpada de Aladino, à feliz criatura que o tinha entre mãos. Esses poderes afinal reduziam-se a um só, um apenas, mas no entanto ele transportava consigo uma enorme força: a liberdade de poder distribuir um beijo a cada um dos elementos do sexo oposto... sim, um beijo apenas, e na face de certeza, o que naqueles tempos de liberdades amputadas certamente faria alguns elevarem-se mais alto que o Nirvana.

Juramentos de amor se teriam feito e casamentos se teriam realizado, mas não vá o leitor ajuizar que as antigas desfolhadas se resumiam à busca desenfreada do milho-rei a que nós só demos tanto ênfase por complemento ao poema Desfolhada, que aqui pode ser lido e também ouvido pela voz da inigualável Simone.
Uma desfolhada à moda antiga era mais, muito mais, como nos mostram dois textos que seleccionámos para vós.
Num deles, que vem acompanhado de um álbum de fotos, a desfolhada é parte integrante de um
Domingo na Aldeia e traz a chancela do amigo Agostinho do Arte por um Canudo.
O outro texto, cujo título Desfolhada à moda antiga justifica desde logo a sua chamada, não navega ainda e infelizmente pela rede das redes. É artigo de jornal (O TABUENSE) que por obra do acaso nos veio ter às mãos. Não nos fizemos rogados em colocar o dito artigo no ar já que é da autoria de uma jovem santacombadense nossa conhecida, Cristina Correia Pinto, que lá do outro lado do Atlântico se está a iniciar nas lides jornalísticas. A leitura do referido artigo, transformado por nós em dois documentos imagem, deve ser
iniciada aqui e depois complementada por uma segunda parte.
Arrematando, e como se impõe, aproveitamos esta deixa para divulgar alguns trabalhos da Cristina aqui sim a navegar na internet pela mão do seu
Sábios e Mestres.

Neves, AJ | setembro 12, 2007 02:10 PM | Casa-Mãe | Voz no SAPO.pt


Comentários

Sempre com artigos interessantes e sempre atento às novidades. Um grande abraço Seven

Afixado por: agostinho em setembro 21, 2007 09:28 AM
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