É milho-rei
milho vermelho
cravo de carne
bago de amor
filho de um rei
que sendo velho
volta a nascer
quando há calor...
Em
1969, os
versos de Ary dos Santos na voz de Simone de Oliveira desafiaram o antigo regime
durante o Festival RTP da Canção.
Evocando o milho-rei milho
vermelho, autêntico objecto de desejo nas rodas de rapazes e raparigas durante
as desfolhadas em tempos de antanho, o poema cantava o amor de uma
forma proibitiva para a época, podendo afirmar-se que na Desfolhada, Ary dos Santos atreveu-se
a
descamisar as mentes conservadoras e puritanas usando palavras nunca antes
proclamadas pública e livremente e que insinuavam o amor carnal [corpo de linho/lábios de mosto/meu corpo lindo/meu fogo posto
... quem faz um filho/fá-lo por gosto].
Os tempos mudaram. A Revolução dos Cravos aconteceu e muito por sua culpa as mentalidades modificaram. Também se alterou esta prática de desfolhar ou descamisar o milho nas noites quentes de Verão (de Agosto) em rodas de jovens e adultos de ambos os sexos e onde o milho vermelho, por raro, era rei quando aparecia. Não se pense, contudo, que o reino deste rei era pavimentado a ouro salpicado de safiras e diamantes, a única riqueza ao dispor deste rei era a atribuição de poderes, qual lâmpada de Aladino, à feliz criatura que o tinha entre mãos. Esses poderes afinal reduziam-se a um só, um apenas, mas no entanto ele transportava consigo uma enorme força: a liberdade de poder distribuir um beijo a cada um dos elementos do sexo oposto... sim, um beijo apenas, e na face de certeza, o que naqueles tempos de liberdades amputadas certamente faria alguns elevarem-se mais alto que o Nirvana.
Juramentos de
amor se teriam feito e casamentos se teriam realizado, mas não vá o leitor
ajuizar que as antigas desfolhadas se resumiam à busca desenfreada do milho-rei
a que nós só demos tanto ênfase por complemento ao poema Desfolhada, que aqui
pode ser lido e também ouvido pela voz da inigualável Simone.
Uma desfolhada à moda antiga era mais, muito mais, como nos mostram
dois textos que seleccionámos para vós.
Num deles, que vem acompanhado de um
álbum de fotos, a desfolhada é parte integrante de um Domingo
na Aldeia e traz a
chancela do amigo Agostinho do Arte por um Canudo.
O outro texto, cujo título
Desfolhada à moda antiga justifica desde logo a sua chamada, não navega ainda
e infelizmente pela rede das redes. É artigo de jornal (O TABUENSE) que por obra
do acaso nos veio ter às mãos. Não nos fizemos rogados em colocar o dito
artigo no ar já
que é da autoria de uma jovem santacombadense nossa conhecida, Cristina Correia Pinto, que lá
do outro lado do Atlântico se está a iniciar nas lides jornalísticas. A
leitura do referido artigo, transformado por nós em dois documentos imagem,
deve ser iniciada aqui e depois complementada por uma
segunda
parte.
Arrematando,
e como se impõe, aproveitamos esta deixa para divulgar alguns trabalhos da Cristina aqui sim a
navegar na internet pela mão do seu Sábios e
Mestres.
Neves, AJ
| setembro 12, 2007 02:10 PM
|
Casa-Mãe |
Voz no SAPO.pt
Sempre com artigos interessantes e sempre atento às novidades. Um grande abraço Seven
Afixado por: agostinho em setembro 21, 2007 09:28 AM