Está claro que
a esmagadora maioria dos amigos e amigas, mais estas, da minha geração vão-me
dizer que se trata de uma mãe ursa a acarinhar a sua cria.
Assim nos era
incutido antigamente, que o carinho era tarefa da mãe e que o pai, embora
eventualmente desejasse revelar esse carinho, teria que se mostrar inflexível visto que tais mimices poderiam
ser sinónimo de fraqueza que levaria à perda da autoridade perante os filhos.
Assim fomos criados.
Mudaram os ventos e chegaram os tempos de partilha e
suavemente a sociedade começou a ver o pai orgulhoso com o seu rebento ao colo e
a ouvi-lo, livre de preconceitos, que lá em casa até mudava a fralda borrada ao
filho e lhe dava banho, afinal partilha de tarefas e carinho mais que justa já
que o fruto não é de uma árvore só, embora a Justiça maníaca
por artigos e leis e cega e fria de amor (não consta que tenha tido filhos), nem
sempre o consiga assim entender e, em prol do fruto (diz essa mesma Justiça)
castra cerce sem dó nem piedade uma das árvores dando-lhe como esmola um ou
outro Natal, mais uma Páscoa e uns almoços em fins-de-semana alternados...
felizmente para um pai tudo é superado quando a mentalidade (e o amor) de um filho adulto (já livre
da tutela da Justiça) supera todas as leis e artigos dos códigos.
Bem, parece que
lá me desviei mais uma vez do que me propunha e peço-vos desculpas por isso,
pelo desabafo, caros amigos e amigas (a ti também filha) mas era hora de tirar
este espinho que andava encravado por aqui na mente a fazer-me mossa, apesar de
que, confesso, fui um privilegiado que não sofreu muito com as regras impostas e
decretadas pela mulher-juiz muito graças à tolerância da mulher-mãe... honras lhe
sejam prestadas.
Ah... o
pai-urso. O título, o mote. O pai-urso nasceu por terras do Douro, mais
propriamente em Cinfães, quando o pai teve o "azar" de comprar um urso de
peluche (pelúcia), que tinha entre braços um ursinho, para oferecer à filha que
foi lá passar uns dias de férias. Aproveitando-se da inocência dos 6/7 anos da
filha, um colega do pai (o grande camarada Raúl) tratou de fazer o baptismo e
eis-me aqui quase vinte anos depois a recordar o episódio, a perguntar-me se o
boneco ainda existe e a convidar-vos a comemorar comigo esta bela recordação
apreciando uma maravilhosa apresentação de slides em PowerPoint retratando a
NATUREZA
onde uma das vedetas é o terno pai-urso, e sua filha, que vedes na imagem.
Neves, AJ
| julho 1, 2008 11:50 AM
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