A opinião de PEDRO GUINA
Quando já ninguém apanha a azeitona
De há uns anos
a esta parte o cenário repete-se nesta altura do ano. As oliveiras espalhadas
religiosamente pelos nossos antepassados pelo nosso Concelho estão simplesmente
abandonadas, tal como abandonados estão os terrenos onde as mesmas estão
plantadas.
Hoje já ninguém apanha esse pequeno fruto que é transformado num néctar,
apreciado por todo o mundo. Portugal, noutros tempos um dos maiores produtores
de azeite do mundo, depara-se com a insólita situação de já ninguém querer
apanhar a azeitona que as nossas oliveiras generosamente dão. Ficam nas árvores,
acabam por cair, sem que ninguém lhe dê grande importância. Na mente capitalista
actual, sempre é preferível e mais barato comprar uma garrafa de azeite num
supermercado qualquer. Os antigos lagares de azeite, testemunhos de tantas
noitadas de trabalho dos nossos antepassados encerraram e muitos já estão em
ruínas.
Isto é o exemplo da falta de uma política agrícola deveras bem concebida. Os
nossos terrenos, por mais férteis que sejam, estão a ser devorados pelas silvas,
pelas acácias e pelos eucaliptos.
Quem não se lembra do nosso concelho há 15 anos atrás? Cheio de vida nas
aldeias, que traziam os produtos da horta para a nossa feira?
Um dia destes dizia-me um ancião no meu escritório com alguma preocupação que,
provavelmente daqui a dez anos, o mesmo iria acontecer com a vinha.
Terá um país futuro quando o seu sector agrícola caiu completamente no
esquecimento, sector esse, que, como por exemplo no caso concreto das oliveiras,
até é um sector de futuro, sendo exemplo disso a aquisição pelos espanhóis de
propriedades alentejanas com hectares de oliveiras?
Pedro Guina
Advogado
www.pedroguina.blogspot.com
Neves, AJ
| outubro 30, 2009 11:18 AM
|
Casa-Mãe |
Voz no SAPO.pt